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As colunas eram enormes.
Pilares colossais sustentavam cada camada do planeta. Milhares deles se estendiam em todas as direções, até onde a visão deixava de distinguir forma e passava a registrar apenas repetição. O chão metálico devolvia passos em um som seco e abafado. Ao redor, apenas a grandeza parecia prevalecer.
A próxima camada encontrava-se a quilômetros acima, oculta por nuvens artificiais suspensas entre estruturas. Não havia céu. Apenas profundidade.
As luzes que iluminavam o ambiente haviam sido, um dia, estrategicamente posicionadas para alcançar a maior extensão possível da superfície. Ainda funcionavam. À frente, a claridade era suficiente para revelar volumes e limites. Para trás, o espaço se dissolvia em breu, rasgado apenas por feixes artificiais que atravessavam o vazio sem encontrar resposta.
Na divisa daquele setor, havia apenas um ser.
Hoje, ele seria reconhecido como humano.
Cabelos pretos, curtos. Olhos escuros. Pele pálida demais para aquele ambiente. Vestia um sobretudo negro, gasto pelo tempo, imóvel diante da vastidão. Permanecia em silêncio, observando. O vento percorria as colunas, desviava-se por entre elas e retornava em correntes irregulares. Vibrações profundas atravessavam o solo, propagando-se pelas estruturas e fazendo a própria camada estremecer de forma quase imperceptível.
Ele começou a caminhar.
Não havia pressa. O deslocamento era contínuo, sem desvios aparentes. Horas se passaram sem alteração no ambiente, até que o padrão foi interrompido.
À frente, o solo havia cedido.
Um buraco se abria onde antes existira uma placa estrutural. A falha tinha a extensão de um bairro inteiro. As bordas eram limpas, denunciando um colapso progressivo — não um impacto. A espessura da camada exposta ultrapassava dois quilômetros. Não era possível determinar se o desabamento ocorrera dias ou anos antes.
Ele parou à beira.
O olho biônico ativou-se.
Um feixe verde percorreu a área, mapeando superfícies, densidades e tensões internas. O diagnóstico retornou em silêncio, preciso, cirúrgico.
A estrutura estava instável.
Dentro de poucos anos, um novo colapso se formaria naquele setor.
Ele desligou o laser.
O buraco permaneceu aberto.
A Estrutura não reagiu.
E ele continuou ali, observando.