Sonho ou pesadelo.
Viver ou morrer?
O rio que passa por este lugardesconhecido — onde termina?
Deixo o mundo me guiar, mas estou perdido.
O infinito me aconchega;tudo o que é imenso, enorme, colossal é sentimento.
Sorriam, meus pequenos; são todos crianças. Sinto-me ancião, mesmo sem idade, apesar de agora ter completado mais um ano. De tão poucos, quantos ainda restam?Não sou perfeito, mas sinto o peso da excelência — apenas após adulto, não quando pequeno.Corra. Corra sem rumo, sem destino, sem uma parada definida, sem local de chegada.
Mas quando houve uma partida? Quando comecei a correr? Quando você não parou mais? Sinto minhas pernas doendo; deve ser o peso de fugir — fugir da dor, dos sentimentos.
Maldita seja a raiva: só de falardela já a sinto. Por que tanta?
Que fantasma do passado me atormenta? Seguir em frente já não é uma escolha.
Não posso mais esperar.
Ignorar os fatos do passado me faz mais feliz, mas não é uma escolha — eu esqueci. Esqueço fatos da minha vida.
Isso me deixa mais feliz, mas não é uma escolha.Não é uma escolha.Escolha? Quando pude?
E você, quando escolheu?
Em um certo bar, em um certo espaço, lá está o jazz, a melodia. Enquanto o escritor aprecia, ele ouveum sino — um sino que o chama para a realidade.
Já deu a hora; você não tem tempo para descansar.
Hora de guardar mais papéis digitais na gaveta do espaço-tempo, onde ninguém deveria ler, mas todos deveriam saber.
Talvez esse bar esteja dentro da cabeça do escritor.
Quem disse? Não poderei saber.O estranho me causa interesse:
o que não é expresso corretamente, oque não entendem, é divertido.Estou acorrentado à realidade; isso me traz raiva.
Sou uma consciência, um espectador que tem escolhas.
Através dos olhos, dos sentimentos, do toque e do desejo, experiencio tudo o que deveria ser real.Estou acorrentado às boas e más escolhas que tomei, às atitudes, às formas de falar, a tudo como penso sem parar. Estou acorrentado aos meus desejos, ao que tento alcançar com facilidade e que me faz tropeçar.Estou acorrentado.Este local parece não ter fim.
Acho que vou morrer por último.
As correntes estão pesadas, mas osorriso é leve. Sou feliz, não tenho dúvidas. Mas a tristeza parece tomar conta em tão pouco tempo… Eu deveria ser mais infeliz? Com tudo o que vem acontecendo, eu deveria? Não tenho a resposta, mas tenho a dúvida periódica.